Parte I – Sobre proponente e co-proponente

  • Proponente

    Nome: Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN)

    Estado: Amazonas

    Região: Norte

    Setor: Terceiro Setor

Parte II - Sobre o Workshop

  • Resumo do workshop

    O workshop “Vozes em Rede” analisará como conectividade e inteligência artificial podem fortalecer a soberania linguística indígena, com ênfase nas experiências do Rio Negro. Serão apresentados assistentes linguísticos, tradutores e acervos digitais que articulam tecnologia e protocolos comunitários. A atividade reunirá lideranças indígenas, pesquisadores e gestores públicos para discutir acessibilidade, proteção de dados e políticas de inclusão digital.

    OBJETIVOS E CONTEÚDOS DO WORKSHOP

    O objetivo é discutir criticamente o uso da tecnologia e da inteligência artificial para o fortalecimento e a revitalização das línguas indígenas, colocando as comunidades como protagonistas e reconhecendo que a diversidade linguística é patrimônio imaterial e base da soberania cultural, territorial e epistêmica dos povos. O debate buscará integrar perspectivas técnicas, políticas e culturais, destacando experiências já em curso, como assistentes linguísticos, tradutores automáticos, dicionários digitais colaborativos, acervos audiovisuais e ambientes bilíngues de aprendizagem, analisando de que forma tais ferramentas podem ser apropriadas e adaptadas conforme protocolos comunitários de uso e transmissão do conhecimento. O Rio Negro será tomado como foco privilegiado, por reunir uma das maiores diversidades linguísticas do país e por desenvolver práticas multissetoriais que envolvem a comunidade científica, organizações indígenas, professores e representantes locais. Essas iniciativas exemplificam formas inovadoras de colaboração que associam tecnologia e participação comunitária, constituindo referência para a reflexão sobre outros contextos indígenas no Brasil. O workshop pretende também analisar os desafios de infraestrutura e conectividade, as lacunas de alfabetização digital e a necessidade de formação técnica capaz de garantir autonomia das comunidades na gestão das ferramentas. Outro eixo será a discussão de marcos jurídicos e éticos relacionados à proteção de dados linguísticos, ao reconhecimento dos direitos autorais coletivos e ao fortalecimento de regimes próprios de regulação cultural. Com a participação de lideranças indígenas, pesquisadores, gestores públicos e representantes do setor privado, busca-se construir recomendações para políticas públicas e parcerias que ampliem a presença das línguas indígenas na esfera digital de forma sustentável e em consonância com as prioridades definidas pelas comunidades.

    RELEVÂNCIA DO TEMA PARA A GOVERNANÇA DA INTERNET

    A presença das línguas indígenas no ambiente digital constitui um eixo central para a efetivação de direitos e para o fortalecimento da cidadania digital no Brasil. O reconhecimento dessas línguas como parte do patrimônio cultural imaterial não se limita a uma demanda sociocultural, mas configura também um requisito técnico e político para assegurar que os povos indígenas possam acessar, compreender e interagir com serviços, conteúdos e políticas públicas digitais. O avanço da digitalização de serviços governamentais, que abrange desde a inscrição em programas sociais e o acompanhamento de benefícios até matrículas escolares, teleatendimento em saúde e participação em consultas públicas, pressupõe competências linguísticas e tecnológicas que muitas vezes não contemplam a realidade das comunidades indígenas. A ausência de interfaces, conteúdos e mecanismos de comunicação adaptados às línguas indígenas gera barreiras estruturais ao exercício pleno de direitos. Nesse contexto, a governança da internet deve considerar a acessibilidade linguística como componente inseparável da universalidade e da diversidade. Isso implica não apenas garantir conectividade em áreas remotas, mas também incorporar soluções como interfaces bilíngues, tradução e interpretação em tempo real, recursos multimodais e protocolos culturais definidos pelas próprias comunidades para o uso e a circulação da língua online. Ao promover um debate multissetorial, o workshop articula a discussão sobre infraestrutura de conectividade, desenvolvimento tecnológico situado e proteção de dados linguísticos com a formulação de políticas públicas digitais mais inclusivas. Essa abordagem integra o campo da governança da internet à agenda de direitos linguísticos e de soberania digital, propondo caminhos para que a transformação digital brasileira seja efetivamente plural e representativa da diversidade linguística e cultural do país.

    FORMA DE ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA MULTISSETORIAL PROPOSTA

    A metodologia multissetorial integra campos de conhecimento e práticas sociais, reconhecendo a articulação entre políticas públicas, conectividade e revitalização linguística em contextos indígenas. A mesa reunirá representantes governamentais, empresariais, do terceiro setor e da comunidade científica e tecnológica, com centralidade para lideranças Baniwa e Baré do Alto Rio Negro, além de representante indígena de órgão federal e de pesquisadora com trajetória na interface entre língua, tecnologia e políticas públicas. O formato combina exposições curtas com diagnósticos e demonstrações, seguidas de diálogo horizontal voltado a dimensões técnicas, culturais e políticas. Busca-se criar um espaço de co-criação no qual as perspectivas indígenas orientem recomendações para políticas públicas e modelos de governança digital sensíveis à diversidade linguística e às condições sociotécnicas dos territórios.

    FORMAS DE ENGAJAMENTO DA AUDIÊNCIA PRESENCIAL E REMOTA

    O workshop será estruturado para promover a participação ativa do público presencial e remoto. As sessões de perguntas e respostas serão mediadas de forma a garantir a inclusão de diferentes perspectivas setoriais e linguísticas, permitindo que intervenções da audiência dialoguem diretamente com os temas em debate. A interação remota ocorrerá por transmissão ao vivo com canal de perguntas em tempo real, cujas contribuições serão incorporadas à discussão em igualdade de condições com as presenciais. A acessibilidade será assegurada por interpretação em Libras, legendas automáticas e, sempre que possível, elementos bilíngues em línguas indígenas. Gravações e materiais de apoio serão disponibilizados posteriormente, ampliando o alcance do evento e possibilitando a continuidade do diálogo. Dessa forma, a metodologia de engajamento garante que a audiência seja parte ativa do processo de reflexão e formulação coletiva.

    RESULTADOS PRETENDIDOS

    O workshop pretende produzir resultados capazes de influenciar políticas e práticas de inclusão digital e fortalecimento das línguas indígenas. Entre os resultados esperados estão: a construção de um diagnóstico coletivo sobre os principais desafios e potencialidades para a presença das línguas indígenas no ambiente digital; a formulação de recomendações multissetoriais para políticas públicas, programas de fomento e iniciativas privadas voltadas à conectividade, acessibilidade linguística e uso ético da inteligência artificial; o fortalecimento de redes de cooperação entre comunidades indígenas, instituições acadêmicas, órgãos governamentais e setor privado; a sistematização das discussões em relatório público; e a ampliação da visibilidade de tecnologias e metodologias já em uso, favorecendo sua difusão em diferentes contextos e contribuindo para modelos de governança digital sensíveis à diversidade linguística do Brasil.

    RELAÇÃO COM OS PRÍNCIPIOS DO DECÁLOGO

    Governança democrática e colaborativa

    TEMAS DO WORKSHOP

    DINC – Multilinguismo | DINC – Povos originários e tradicionais | NTIA – Inteligência Artificial

    ASPECTOS DE DIVERSIDADE RELEVANTE

    Cor ou raça | Região | Grupos marginalizados

    COMO A PROPOSTA INTEGRARÁ OS ASPECTOS DE DIVERSIDADE

    O workshop integrará a diversidade ao priorizar cor ou raça, região e grupos marginalizados, colocando a representação indígena no centro do debate. A dimensão racial e étnica será abordada no reconhecimento das línguas indígenas como patrimônio cultural imaterial e fundamento da cidadania digital. A dimensão regional terá como foco o Alto Rio Negro, território de grande pluralidade linguística, de onde participarão representantes Baré e Baniwa, assegurando a presença indígena como eixo da discussão. A proposta enfatiza também os grupos marginalizados, ao tratar das barreiras estruturais que limitam o acesso pleno à conectividade e aos serviços digitais. A diversidade será reforçada pela participação de representantes acadêmicos, governamentais, empresariais e do terceiro setor, compondo um debate multissetorial que articula perspectivas distintas para a formulação de políticas digitais inclusivas voltadas às comunidades indígenas da Amazônia.