Parte I – Sobre proponente e co-proponente
- Proponente
Nome: Brenda Letícia Souza da Silva
Estado: Paraná
Região: Sul
Setor: Comunidade Científica e Tecnológica
- Co-proponente
Nome: Ismael Romão dos Santos
Estado: Rio Grande do Norte
Região: Nordeste
Setor: Governamental
Parte II - Sobre o Workshop
Resumo do workshop
O painel debate os desafios de promover educação midiática em realidades diversas: da sala de aula insular numa comunidade do litoral do Sul às periferias urbanas do Sudeste, dos desafios de conectividade no semiárido e em povoados indígenas do Nordeste à atuação empresarial em projetos sociais nessas realidades Brasil afora. A proposta reflete letramento, acesso e usos saudáveis de tecnologias emergentes, discutindo barreiras e caminhos para fortalecer a autonomia crítica e cidadã no país.
OBJETIVOS E CONTEÚDOS DO WORKSHOP
O painel tem três objetivos principais: mapear os desafios da educação midiática em diferentes realidades brasileiras, mostrando seu impacto na cidadania digital; identificar barreiras como falta de conectividade e capacitação e caminhos para superá-las; debater princípios para o uso ético de tecnologias emergentes, de modo a fortalecer direitos e autonomia crítica. Serão tratados quatro eixos: Desafios de Infraestrutura e Inclusão Digital; Estratégias e Atores do Letramento Midiático; Marco Legal e Atuação Pública; e Tecnologias Emergentes e o Papel do Setor Privado. A comunidade científica abordará a vivência da educação midiática no chão da escola pública em uma comunidade insular no litoral paranaese, incluindo cidadania, letramento e inclusão digital, mostrando como essas discussões podem ser incorporadas de forma concreta e acessível no cotidiano escolar. O setor privado traz duas perspectivas: a atuação da Microsoft no Brasil na promoção do letramento digital. Assumiu a meta de capacitar 5 milhões de pessoas até 2027 em IA, em parceria com governos e organizações civis. Serão apresentados os modelos de parceria, as comunidades já alcançadas e a escala de capacitação, voltados à inclusão digital e ao desenvolvimento socioeconômico. Paralelamente, soma-se a atuação de Flávio Muniz, historiador, jurista e empreendedor social, fundador da Missão Escola da Vida e do Caçador de Histórias, maior canal brasileiro sobre a história da África, que compartilha experiências educacionais nas periferias brasileiras e do mundo. O terceiro setor defende a internet como ferramenta de autonomia e fortalecimento cultural de comunidades indígenas. Acredita que a inclusão digital deve ser tratada como um direito coletivo dos povos tradicionais. Não se trata apenas de ofertar conectividade, mas de garantir que o acesso esteja alinhado ao protagonismo comunitário, à proteção de saberes ancestrais e à construção de políticas participativas e descentralizadas de governança digital.
RELEVÂNCIA DO TEMA PARA A GOVERNANÇA DA INTERNET
A proposta se insere no debate da Governança da Internet ao explicitar as desigualdades de acesso, de conectividade e de letramento digital que ainda marcam o país, especialmente em territórios periféricos e rurais. A governança da rede, para ser democrática, precisa refletir a pluralidade das experiências brasileiras e considerar como comunidades à margem das políticas de infraestrutura e de inclusão tecnológica enfrentam barreiras concretas para o exercício pleno da cidadania digital. O painel se articula com princípios do CGI.br, em especial universalidade, diversidade, inovação e governança democrática e colaborativa, ao ampliar o espaço de escuta para atores sociais que vivem essas realidades.
O tema é relevante porque traz à tona um dos maiores desafios contemporâneos: como garantir que a transformação digital e o avanço das tecnologias emergentes, em particular a Inteligência Artificial, não reforcem exclusões, mas promovam inclusão crítica e emancipatória. A discussão sobre educação midiática nas beiras — das ilhas do litoral aos sertões nordestinos, das periferias urbanas ao apoio de iniciativas privadas — evidencia que a qualidade da democracia e da governança digital depende da capacidade de formar cidadãos aptos a compreender, questionar e interagir com os fluxos de informação que estruturam a vida social.
A relevância se manifesta na urgência de desenvolver políticas e práticas que enfrentem as desigualdades estruturais de acesso e promovam letramento midiático em contextos de vulnerabilidade. A construção de uma cidadania digital não pode prescindir da escuta das vozes da beira, pois são nelas que se evidenciam os limites e as potencialidades da Internet enquanto direito. O workshop pretende contribuir para a formulação de caminhos que fortaleçam a autonomia crítica dos usuários, favoreçam o uso ético e seguro das tecnologias digitais e assegurem que a governança da Internet no Brasil seja inclusiva, participativa e promotora de justiça social.FORMA DE ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA MULTISSETORIAL PROPOSTA
De forma prévia, a mediação orientará os painelistas a apresentarem suas contribuições a partir de suas vivências e perspectivas para o tema. O painel está dividido em dois momentos. O primeiro, com 60 minutos, será expositivo. O segundo, com 30 minutos, será interativo.
O primeiro momento se inicia com a mediação ao realizar um breve panorama, situando os participantes de onde está localizada a discussão. Na sequência, cada painelista realizará sua fala, de modo intercalado, em até 10 minutos.
O segundo momento se inicia chamando o público para a discussão. Haverá dois blocos de participação, alternando entre provocações remotas e presenciais. Cada bloco terá duração aproximada de 12 minutos, permitindo 3 perguntas com cerca de 45 segundos e 3 respostas com cerca de 2 minutos. Ao final, os participantes fazem suas considerações finais, juntamente com uma recapitulação da discussão por parte da mediação e da relatoria.FORMAS DE ENGAJAMENTO DA AUDIÊNCIA PRESENCIAL E REMOTA
A audiência será fortemente engajada a participar do painel, tanto remota quanto presencialmente. De forma remota, a organização do painel se encarregará de coletar, previamente, provocações de integrantes dos setores que compõem a governança da Internet. Serão vídeos gravados e exibidos posteriormente durante o painel. Também haverá monitoramento do chat da transmissão do painel, bem como de hashtags que caracterizam a discussão.
Presencialmente, os participantes serão convidados a participar, realizando suas provocações com o mesmo tempo oferecido ao público remoto. Para complementar a discussão, palestrantes de outros painéis poderão ser convidados a realizar questionamentos que atravessam e conectam outros painéis a este proposto.RESULTADOS PRETENDIDOS
Entre os resultados pretendidos, destacam-se: (a) aprofundar a compreensão dos impactos da educação midiática e das tecnologias emergentes no exercício da cidadania digital; (b) identificar estratégias práticas de superação de barreiras como a falta de conectividade, promovendo soluções acessíveis; (c) propor maneiras de fortalecer a autonomia crítica dos cidadãos frente a um ambiente informacional permeado por desinformação algorítmica; (d) estimular a formulação de recomendações multissetoriais alinhadas aos princípios do CGI.br, reforçando auditabilidade, explicabilidade e proteção de direitos; (e) valorizar a contribuição de minorias sociais, garantindo que comunidades indígenas e periféricas sejam reconhecidas como protagonistas na definição de políticas de inclusão digital; (f) consolidar recomendações para políticas públicas, regulações e práticas inovadoras que unam educação, mercado e sociedade civil em prol da equidade digital.
RELAÇÃO COM OS PRÍNCIPIOS DO DECÁLOGO
Diversidade
TEMAS DO WORKSHOP
DINC – Grupos excluídos e minoritários | DINC – Inclusão digital | EDU – Letramento digital
ASPECTOS DE DIVERSIDADE RELEVANTE
Gênero | Região | Grupos marginalizados
COMO A PROPOSTA INTEGRARÁ OS ASPECTOS DE DIVERSIDADE
A proposta busca contemplar a equidade de gênero, a diversidade regional e a participação de grupos marginalizados advindos das periferias do Brasil.
Por isso, o painel está balanceado entre homens e mulheres. Contempla, diretamente, integrantes de quatro das cinco regiões do Brasil e, indiretamente, todas elas, sendo: três pessoas do Nordeste, sendo uma imigrante de um país vizinho, na América Latina, com vivência de mais de 20 anos nas periferias da Bahia, outra vindo de uma pequena cidade do interior do Rio Grande do Norte e outra, ainda, de um território indígena no interior de Pernambuco; uma do Sul, com vivências em um povoado numa ilha no litoral do Paraná; duas do Sudeste, sendo uma residente no Triângulo Mineiro, mas migrante do Centro-Oeste e outra natural do norte de Minas e, por fim, uma do Centro Oeste, residente no Distrito Federal, mas migrante do Norte. Essa rica diversidade de regiões forma um emaranhado que é o retrato do povo brasileiro.
