Parte I – Sobre proponente e co-proponente
- Proponente
Nome: Instituto Federal do Pará (IFPA)
Estado: Pará
Região: Norte
Setor: Comunidade Científica e Tecnológica
Parte II - Sobre o Workshop
Resumo do workshop
A Amazônia é peça-chave na corrida global por tecnologias verdes. Em um cenário em que o setor de TICs consome volumes crescentes de energia e recursos, o Brasil pode liderar soluções e políticas de inovação tecnológica e preservação ambiental. Por isso, este workshop reunirá representantes da academia, comunidades locais, setor privado e governo para discutir quais caminhos possíveis e como transformar a Amazônia em um polo estratégico para TICs sustentáveis, fomento e agendas globais pós-COP30
OBJETIVOS E CONTEÚDOS DO WORKSHOP
Objetiva-se aprofundar a análise das variáveis críticas para avaliar a capacidade e os impactos ambientais nas cadeias de abastecimento da indústria da tecnologia da informação (TIC), considerando desde a infraestrutura de processamento de alto desempenho, até o desenvolvimento de sistemas de IA, softwares, equipamentos e modelos de inovação nacionais. A proposta parte da perspectiva da Amazônia como ativo geopolítico e ambiental estratégico para a liderança global em tecnologias verdes e discutirá de forma multissetorial seu potencial em biodiversidade, bioeconomia e geração de energia limpa no debate nacional sobre desenvolvimento tecnológico. Para isso, o painel reunirá universidades (IFPA/UFAM), empresa de IA, MCTI, Climate Investment Funds, Governo do Acre e organizações do terceiro setor, com 50% de participação de pessoas amazônidas no painel para valorizar a voz local no debate. Pretende-se apresentar propostas de políticas, tecnologias nacionais e estratégias multissetoriais que reduzam impactos ambientais da indústria tecnológica e incorporem métricas ambientais em todo o ciclo de vida das inovações. Entre as questões centrais, estão: como tecnologias verdes podem fomentar inovações capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa e proteger ecossistemas críticos? De que forma TICs podem ser planejadas para operar com eficiência energética e menor impacto ambiental? Quais práticas de benchmarking podem posicionar o Brasil, e em especial a Amazônia, como referência em tecnologias verdes e soberanas? Como adaptar e integrar instrumentos como a Política Nacional do Meio Ambiente, a Lei nº 14.904/2024 e marcos internacionais (como o AI Act) à governança de tecnologias sustentáveis? No geral, esses debates se ancoram na noção de adequação sociotécnica, entendida como o processo de harmonizar avanços científicos e tecnológicos com aspectos socioeconômicos, culturais e ambientais, em sintonia com a resiliência climática e o papel do Brasil no cenário global.
RELEVÂNCIA DO TEMA PARA A GOVERNANÇA DA INTERNET
O tema proposto dialoga com Princípios para o Uso da Internet no Brasil, como inovação, funcionalidade, segurança, padronização e ambiente legal/regulatório. Também se conecta aos macro e microtemas do FIB, como governança e soluções baseadas em IA, cidadania ambiental, desenvolvimento sustentável e questões jurídicas e regulatórias. A proposta é inovadora porque ainda há pouca atenção à dimensão ecológica da indústria de TICs, que envolve não apenas IA, mas também data centers, softwares, equipamentos e cadeias de suprimento do setor tecnológico. Esses elementos possuem alta demanda energética, forte pegada de carbono e geram emissões relevantes de gases de efeito estufa. Ao colocar a Amazônia no centro da análise, o painel reconhece seu papel estratégico, seja pela biodiversidade, pelo potencial em bioeconomia, seja pela capacidade de geração de energia limpa, atributos que podem posicionar o Brasil como referência global no desenvolvimento de TICs verdes e soberanas. Segundo relatório do Grupo de Especialistas em IA, Computação e Clima da OCDE, a indústria global de TICs já responde por 1,8% a 2,8% das emissões globais de GEE e a pegada de carbono da IA está diretamente relacionada ao uso de fontes energéticas não renováveis. Esses dados reforçam a urgência do debate, sobretudo diante do papel crítico da Amazônia na regulação climática planetária. No campo teórico, o painel permitirá avançar a discussão à luz de marcos como o AI Act, o Plano Brasileiro de IA, o PL 2338/2023 e a Lei nº 14.904/2024, que define diretrizes para planos de adaptação climática e reforça a necessidade de governança federativa e multissetorial. No campo prático, abrirá espaço no FIB para debater as interações entre tecnologia, inovação sustentável e meio ambiente, com geração de subsídios pós-COP30 a ser realizada no Pará, além de fortalecer a inserção da pauta ambiental no debate regulatório sobre tecnologias no Brasil, ampliando a efetividade da Política Nacional sobre Mudança do Clima
FORMA DE ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA MULTISSETORIAL PROPOSTA
A proposta adota o modelo multissetorial do FIB, com participação de representantes do setor governamental, empresarial, da comunidade técnica e do terceiro setor. A mesa redondaserá conduzida por uma moderadora, que abrirá a discussão com apresentação do tema e dos objetivos propostos e da relevância do tema para a comunidade da Internet. O painel terá 1h30min. No bloco 1, cada palestrante terá 10min para expor suas perspectivas, trazendo à tona os pontos de consenso e dissensos sobre os impactos ambientais e de inovação, a partir de seu setor, e o papel estratégico do Brasil na promoção de tecnologias sustentáveis (50min). Esse formato permitirá que o público do FIB reflita sobre as questões centrais e as repercussões dessas discussões em suas áreas de atuação. Após as apresentações individuais, o painel passará para uma plenária interativa, onde os palestrantes e o público do FIB serão convidados a fazer perguntas de até 2 min e contribuir para o debate (40min).
FORMAS DE ENGAJAMENTO DA AUDIÊNCIA PRESENCIAL E REMOTA
Antes do FIB, serão mapeados os principais stakeholders de associações, governos, ativistas ambientais e lideranças do setor produtivo para participarem do fórum. A proponente produzirá conteúdos com questões-problemas para instigar o debate e o envolvimento da comunidade da Internet no tema por meio do Instagram. No dia do workshop, a interação do público ocorrerá por meio da plataforma Menti para coleta das perguntas e impressões do público presencial e on-line. Para garantir a paridade multissetorial, será dada prioridade a perguntas que representem as diferentes perspectivas dos setores. As organizações envolvidas se comprometem com a realização de webinários sobre os temas do painel (TICs, inovação e transição energética) como continuidade das discussões no FIB. O relatório com os pontos-chave do painel será disponibilizado e disponibilizado na plataforma “Comunidade FIB”, mailing e no grupo do Telegram.
RESULTADOS PRETENDIDOS
O painel pretende fortalecer o debate sobre o papel do Brasil e da Amazônia como fornecedores estratégicos de tecnologias verdes, de modo que, além do debate teórico, os resultados possam incluir: i) contribuir com métricas de monitoramento ambiental para TICs, com foco nos impactos ambientais da indústria tecnológica; ii) consolidar um guia de boas práticas de eficiência energética, a partir do painel; iii) sistematizar experiências regulatórias nacionais e internacionais e, a partir dos consensos, formular recomendações políticas e técnicas para orientar investimentos públicos e privados no setor; e iv)estruturar rede multissetorial de acompanhamento, a partir do FIB. Como produtos, serão publicados, além do guia de boas práticas, um relatório com propostas pós-COP30 como forma de continuidade, além de realização de 2 webinários e atividades formativas para ampliar a discussão ambiental e tecnológica e apoiar a efetividade da Política Nacional sobre Mudança do Clima nesses temas.
RELAÇÃO COM OS PRÍNCIPIOS DO DECÁLOGO
Inovação
TEMAS DO WORKSHOP
IA - Soluções baseadas em IA | ISCI – Internet e o Desenvolvimento Sustentável | QJUR - Soberania de dados e soberania digital
ASPECTOS DE DIVERSIDADE RELEVANTE
Gênero | Cor ou raça | Região
COMO A PROPOSTA INTEGRARÁ OS ASPECTOS DE DIVERSIDADE
O painel integra os aspectos de diversidade em 5 aspectos complementares na composição e conteúdo. Na composição, assegura-se a equidade de gênero, com 4 mulheres (sendo 2 negras) e 3 homens, além da representatividade de 6 estados (AC, AM, PA, DF, SP e BA) e 4 regiões do país (Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste). Destacam-se ainda: 50% de pessoas amazônidas, 50% de pessoas negras, além de representações LGBTQIA+ e de juventudes. No conteúdo, o painel contempla diferentes formações acadêmicas e profissionais (Química, Ciência da Computação, Administração, Direito e Relações Internacionais), o que traz diversidade para inclusão dos temas de tecnologia, meio ambiente, economia e regulação no debate. Portanto, o caráter interdisciplinar e multissetorial da proposta garante a construção de consensos e dissensos, considerando questões regionais, socioambientais, recortes raciais e de gênero, em sintonia com a missão do FIB de assegurar pluralidade e inclusão no debate público.
