Parte I – Sobre proponente e co-proponente

  • Proponente

    Nome: Conselho Nacional de Juventude

    Estado: Distrito Federal

    Região: Centro-Oeste

    Setor: Governamental

  • Co-proponente

    Nome: OIJ - Organismo Internacional de Juventude para Ibero-América

    Estado: Distrito Federal

    Região: Centro-Oeste

    Setor: Governamental

Parte II - Sobre o Workshop

  • Resumo do workshop

    O avanço do extremismo violento entre jovens no ambiente digital representa um desafio crítico para a democracia no Brasil. Este fenômeno manipula narrativas afetivas, símbolos e o desenho das plataformas para facilitar o recrutamento de jovens em grupos de ódio. O painel reúne especialistas para mapear esses mecanismos, avaliar o papel das plataformas e das políticas públicas, e co-construir estratégias educativas e democráticas que previnam o ódio e protejam os direitos da juventude.

    OBJETIVOS E CONTEÚDOS DO WORKSHOP

    O objetivo geral deste workshop é promover um debate multissetorial, crítico e propositivo sobre os desafios da radicalização de jovens no ambiente digital, co-construindo respostas eficazes ao extremismo violento no Brasil. Para tanto, a proposta está organizada em quatro objetivos específicos: 1) Compreender as causas e os fatores que levam os jovens ao extremismo violento e de que modo os discursos extremistas se estruturam como narrativas persuasivas. O debate irá explorar o percurso que leva da frustração à vingança, um terreno fértil para a cooptação de jovens em busca de pertencimento, cenário também explorado em produções culturais como a série "Adolescência" da Netflix; 2) Mapear as táticas e os ambientes de cooptação: Identificar os métodos utilizados por comunidades extremistas, como os grupos incel e redpill, que incluem o uso de humor e a estética violenta, trollagem, além de abordar como a arquitetura das plataformas, com seus algoritmos e bolhas, contribui para a polarização e monetiza conteúdos violentos; 3) Debater o impacto do ecossistema para juventude: Discutir como a exposição massiva a conteúdos violentos, que atinge 84,3% dos jovens segundo o estudo "Algoritmos, violência e juventude no Brasil" (Think Twice Brasil, 2024), se traduz em danos reais; 4) Co-construir estratégias intersetoriais de prevenção e resposta: A partir do diagnóstico, os participantes irão colaborar na construção de recomendações para nortear as políticas de educação digital e de juventude no Brasil.

    RELEVÂNCIA DO TEMA PARA A GOVERNANÇA DA INTERNET

    No Brasil, o ecossistema online se tornou o principal vetor para a difusão de narrativas de ódio entre os jovens. De acordo com a pesquisa Tic Domicílios (2024), 95% dos jovens de 16 a 24 anos são considerados usuários diários da Internet. Desse público, 84,3% já encontrou discursos de ódio ou vídeos violentos nas redes (Think Twice Brasil, 2024). A disseminação de conteúdos violentos é potencializada pela arquitetura das plataformas, cujos algoritmos podem amplificar conteúdos extremistas, expondo jovens a narrativas misóginas e autoritárias.
    Também, grupos organizados utilizam formatos virais para normalizar o ódio. Em 2025, a SaferNet Brasil identificou um crescimento de 35% do uso de emojis e outros códigos para disfarçar discursos de ódio, evidenciando uma tática deliberada para evadir a moderação.
    O impacto dessa dinâmica é sentido no aumento da violência digital, mas também por meio da violência física, já que 15,3% dos jovens afirmaram ter cometido ataques verbais ou físicos após assistirem a conteúdos violentos (Think Twice Brasil, 2024). Isso coloca a radicalização online como uma questão crítica de segurança, exigindo respostas que vão além da moderação de conteúdo e que articulem políticas interssetoriais de juventude.
    O relatório Ataque nas Escolas no Brasil (2023) também revela que o extremismo é o elemento central dos ataques às escolas e, até 2023, 100% dos agressores eram do sexo masculino e foram motivados por discursos de ódio e/ou comunidades online de violência extrema.
    Enfrentar o extremismo violento nas redes é uma pauta urgente para a Governança da Internet. A complexidade do desafio demanda uma abordagem multissetorial e atenta à importância da educação para prevenção, pois esse fenômeno ameaça diretamente os princípios do Decálogo do CGI.br de respeito aos direitos humanos, à garantia da diversidade e de uma internet segura para todos, os quais são fundamentais para a preservação de uma sociedade justa e democrática.

    FORMA DE ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA MULTISSETORIAL PROPOSTA

    Nos primeiros 5 min, a moderação apresentará o contexto do workshop e sua estruturação em 2 perguntas temáticas que guiarão 2 blocos de debate, sendo primeiro bloco de diagnóstico e o segundo de co-construção de recomendações: 1) "Como as narrativas de encantamento e as táticas de comunidades de ódio exploram as vulnerabilidades dos jovens no ecossistema das plataformas?". Neste bloco, os especialistas abordarão os objetivos 1, 2 e 3; 2) "Quais estratégias e recomendações podemos articular para a prevenção e mitigação do extremismo violento entre os jovens no ambiente digital?". Teremos 2 rodadas, de 30 min cada, com 7 min para cada painelista. A moderação realizará intervenções a partir dos comentários online da plateia, a fim de guiar o debate e permitir maior participação. A última rodada será de engajamento direto com a audiência e durará 20 min. Os 10 min finais serão destinados para encerramento.

    FORMAS DE ENGAJAMENTO DA AUDIÊNCIA PRESENCIAL E REMOTA

    O engajamento do público é um pilar da proposta e se inicia antes do evento. O formato final do workshop será moldado a partir de consultas prévias com jovens, garantindo que suas perspectivas e prioridades sejam o ponto de partida do debate. Durante a sessão, a audiência atuará como a "quinta painelista". As mesmas perguntas direcionadas aos palestrantes também serão direcionadas à audiência, que poderá respondê-las de forma anônima ou identificada em uma plataforma digital que será compartilhada no início do painel. Entre as falas dos painelistas, a moderação lerá algumas das contribuições feitas pela audiência sobre o tema, transformando o painel em um diálogo mais plural. A ferramenta também permitirá a criação de um mural colaborativo de referências sobre o tema.

    RESULTADOS PRETENDIDOS

    De acordo com a Nobel da Paz Maria Ressa, “estamos sobre os destroços do mundo que já foi, e o desafio é olhar para este cenário e construir um mundo melhor”. O workshop se concentrará em gerar dados e recomendações sobre o fenômeno do extremismo violento entre jovens no ambiente digital para guiar as políticas públicas de juventude, no contexto de debate sobre o Plano Nacional de Juventude, e os diálogos do Observatório Multilateral da Juventude contra o Extremismo. O diálogo proposto também visa o fortalecimento da rede de atores multissetoriais dedicados ao tema, estimulando parcerias e ações futuras. Também, um resultado prático do encontro será a criação de uma biblioteca de referências sobre Juventude e o extremismo violento no Brasil. Construída de forma colaborativa pelos participantes, ela ficará disponível publicamente após o evento, funcionando como uma fonte de consulta permanente para todos os interessados no tema.

    RELAÇÃO COM OS PRÍNCIPIOS DO DECÁLOGO

    Liberdade, privacidade e direitos humanos

    TEMAS DO WORKSHOP

    EDU – Letramento digital | ISCI – Cidadania digital | ISCI – Discurso de ódio

    ASPECTOS DE DIVERSIDADE RELEVANTE

    Região | Jovens | Idade ou geração

    COMO A PROPOSTA INTEGRARÁ OS ASPECTOS DE DIVERSIDADE

    O painel segue composição com todas as pessoas participantes com experiência comprovada no tema. Abrangemos a diversidade de idade ou geração com a participação de jovens profissionais tanto como painelistas, quanto na organização do workshop, o que contribui para um diálogo entre pares e também intergeracional. Contamos com convidados de quatro diferentes regiões do Brasil (Nordeste, Centro-oeste, Sudeste e Sul). Como diferencial, o desenho do workshop incorporará a participação efetiva de jovens. Realizaremos consultas prévias com este público sobre os objetivos e a metodologia, garantindo que suas perspectivas moldem o formato final do debate.