Parte I – Sobre proponente e co-proponente

  • Proponente

    Nome: Laboratório de Políticas Públicas e Internet (LAPIN)

    Estado: Distrito Federal

    Região: Centro-Oeste

    Setor: Terceiro Setor

Parte II - Sobre o Workshop

  • Resumo do workshop

    Este workshop explora a materialidade da internet, focando no extrativismo mineral intensivo que sustenta a sua infraestrutura e aborda as tensões entre o avanço tecnológico e os desafios socioambientais e geopolíticos. O objetivo é promover um diálogo crítico sobre a necessidade de incluir a sustentabilidade como um princípio central na governança da internet.

    OBJETIVOS E CONTEÚDOS DO WORKSHOP

    O objetivo central do workshop é provocar uma reflexão crítica sobre a cadeia de produção mineral que torna a infraestrutura física da internet possível. Diferentemente dos debates tradicionais de Governança da Internet, concentrados em debates mais abstratos sobre as camadas lógicas e de aplicação, a proposta principal é discutir a materialidade por trás da tecnologia digital.

    A partir disso, os objetivos secundários são: (i) discutir os impactos sociais e ambientais dos componentes físicos da infraestrutura da internet (ii) incentivar o debate sobre as tensões geopolíticas relacionadas ao minérios críticos e terras raras que sustentam essa camada material da internet; e (iii) fomentar a inclusão de um princípio de sustentabilidade na Governança da Internet, um fator atualmente não explicitado.

    RELEVÂNCIA DO TEMA PARA A GOVERNANÇA DA INTERNET

    O modelo multissetorial de governança da internet brasileiro tem se pautado, com excelência, no debate sobre as camadas lógicas da rede. No entanto, o cenário atual de digitalização massiva exige que consideremos a materialidade que a sustenta.

    A infraestrutura física da internet não é imaterial, muito menos abstrata . Ela depende de recursos naturais do planeta, como a extração de minerais críticos e terras raras, como o coltan, o silício e o lítio. A ausência de um debate aprofundado sobre essa dimensão nos espaços de políticas públicas compromete a construção de uma governança verdadeiramente inclusiva, responsável e sustentável.

    Este workshop propõe preencher essa lacuna fundamental, explorando a criação de um princípio de sustentabilidade para a governança da internet. A abordagem será multissetorial e crítica, com ênfase não apenas na problematização, mas na proposição de soluções e recomendações concretas que emergem das cadeias de extração mineral e das tensões geopolíticas. O objetivo é que cada setor contribua de forma proativa, transformando o debate em ações reais e colaborativas para ir além: termos um princípio da sustentabilidade com ações concretas previstas.

    FORMA DE ADEQUAÇÃO DA METODOLOGIA MULTISSETORIAL PROPOSTA

    O workshop terá como duração uma hora e meia e seguirá uma metodologia dinâmica com enfoque no diálogo e interação entre os setores governamental, empresarial, terceiro setor, comunidade científica e tecnológica e a audiência.

    O painel será dividido em blocos temáticos curtos. Ocorrerá uma contextualização da moderadora em torno de 5 minutos. Em seguida, cada painelista terá um tempo de fala de no máximo 10 minutos. Após essas considerações iniciais, o resto do tempo será dividido entre sessões de perguntas da audiência presencial, remota e entre os próprios painelistas que serão incentivados a elaborar questionamentos de como podem colaborar entre si.

    Assim, metade do tempo do workshop será dedicado à discussão e construção de soluções propositivas para a construção de um princípio da sustentabilidade na governança da internet e do reconhecimento da materialidade da internet, sob a perspectiva orientadora da cadeia mineral que a sustenta.

    FORMAS DE ENGAJAMENTO DA AUDIÊNCIA PRESENCIAL E REMOTA

    Para a audiência remota, serão coletadas perguntas nas redes sociais da organização proponente nas semanas anteriores ao workshop, além da moderadora coletar perguntas da audiência online ao vivo durante a transmissão do FIB 16 no Youtube durante o painel.

    Durante o painel, será mostrado um QR core para a audiência (presencial e remota) responderem a uma questão para gerar uma nuvem de palavras:

    Também haverá tempo reservado para interação com a audiência presencial durante a metade final do workshop. Se o tempo não for suficiente, as perguntas serão encaminhadas aos painelistas, que responderão por e-mail, assegurando a continuidade do diálogo, e inseridas no relatório final do painel.

    RESULTADOS PRETENDIDOS

    Os resultados esperados incluem a criação de um conjunto de recomendações multissetoriais para integrar a sustentabilidade na governança da internet. O workshop buscará aprofundar o debate sobre a materialidade da rede, gerando uma análise sobre as externalidades da infraestrutura física, focando em suas cadeias de produção.

    Ao final da sessão, os participantes devem compreender os desafios e as implicações socioambientais do extrativismo mineral para a tecnologia e internet. Um dos principais resultados será a produção de um relatório final em conjunto com uma cartilha educativa que sistematizará as propostas geradas, promovendo a continuidade do diálogo entre setores e fortalecendo redes colaborativas para a discussão de uma governança da internet mais inclusiva e responsável. O workshop, assim, visa promover o intercâmbio de conhecimento e a criação de estratégias conjuntas para garantir que o avanço tecnológico ocorra de forma a considerar o meio ambiente e comunidades locais.

    RELAÇÃO COM OS PRÍNCIPIOS DO DECÁLOGO

    Governança democrática e colaborativa

    TEMAS DO WORKSHOP

    ISCI – Internet e meio ambiente | ISCI – Internet e o Desenvolvimento Sustentável | QJUR - Governança da Internet, multissetorialismo

    ASPECTOS DE DIVERSIDADE RELEVANTE

    Cor ou raça | Região | Idade ou geração

    COMO A PROPOSTA INTEGRARÁ OS ASPECTOS DE DIVERSIDADE

    A proposta do workshop foi elaborada para integrar de forma ativa e significativa a diversidade de região, raça e geração. A mesa do painel conta com participantes de diferentes regiões do Brasil, garantindo que o debate considere as realidades geográficas e socioeconômicas de cada localidade e bioma.

    A inclusão de pessoas negras na moderação, relatoria e no painel é essencial para trazer uma perspectiva direta sobre o racismo ambiental, abordando como comunidades negras e quilombolas são desproporcionalmente afetadas pelos impactos da mineração, ao mesmo tempo que sofrem com menor conectividade.

    Por fim, a participação de jovens do programa Youth do CGI ao lado de profissionais mais experientes cria um diálogo intergeracional instigante. Isso permite que a discussão beneficie tanto das visões inovadoras da nova geração quanto do conhecimento mais tradicional sobre governança e tecnologia.